Hay palabras silenciosas, más silenciosas que el propio silencio

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Categoría: Personal / Estado: Triste
Posteado: 2008-02-07 23:26

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... esperando la vuelta.
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Puede ser que sea hoy

Categoría: Personal / Estado: Triste
Posteado: 2007-12-15 17:48

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Navidad

Categoría: Personal / Estado: Triste
Posteado: 2007-12-13 19:07

Ayer de compras me fui
y asustada quedé.
Tantos juguetes, pero tantos,
que nada encontré.


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Poeta castrado não!

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Neutral
Posteado: 2007-12-13 18:52

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

José Carlos Ary dos Santos


Keywords: José Carlos Ary dos Santos
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Vaidade

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Triste
Posteado: 2007-12-13 18:11

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo!
E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou
Alguém cá neste mundo…
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho…

E não sou nada...
Florbela Espanca - Livro de Mágoas

Keywords: Florbela Espanca
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De nuevo navidad

Categoría: No lo creo... / Estado: Triste
Posteado: 2007-12-12 18:09

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Así se paso un año, entre altos y bajos, quizás más bajos que altos.

Feliz Navidad


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Adiós

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Triste
Posteado: 2007-09-21 12:39

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¿Serás, amor,
un largo adiós que no se acaba?
Vivir, desde el principio, es separarse.
En el primer encuentro
con la luz, con los labios,
el corazón percibe la congoja
de tener que estar ciego y sólo un día.
Amor es el retraso milagroso
de su término mismo:
es prolongar el hecho mágico
de que uno y uno sean dos, en contra
de la primer condena de la vida.
Con los besos,
con la pena y el pecho se conquistan,
en afanosas lides, entre gozos
parecidos a juegos,
días, tierras, espacios fabulosos,
a la gran disyunción que está esperando,
hermana de la muerte o muerte misma.
Cada beso perfecto aparta el tiempo,
le echa hacia atrás, ensancha el mundo breve
donde puede besarse todavía.
Ni en el lugar, ni en el hallazgo
tiene el amor su cima:
es en la resistencia a separarse
en donde se le siente,
desnudo, altísimo, temblando.
Y la separación no es el momento
cuando brazos, o voces,
se despiden con señas materiales.
Es de antes, de después.
Si se estrechan las manos, si se abraza,
nunca es para apartarse,
es porque el alma ciegamente siente
que la forma posible de estar juntos
es una despedida larga, clara.
Y que lo más seguro es el adiós.


Pedro Salinas





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Soñando

Categoría: Personal / Estado: Triste
Posteado: 2007-09-20 18:47

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A arte de ser feliz

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Neutral
Posteado: 2007-09-20 17:52



Houve um tempo em que minha janela se
abria sobre uma cidade que parecia ser
feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas
todas as manhãs vinha um pobre com um
balde, e, em silêncio, ia atirando com a
mão umas gotas de água sobre as
plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para as
plantas, para o homem, para as gotas de
água que caíam de seus dedos magros e
meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes encontro
nuvens espessas. Avisto crianças que vão
para a escola. Pardais que pulam pelo
muro. Gatos que abrem e fecham os
olhos, sonhando com pardais. Borboletas
brancas, duas a duas, como refletidas no
espelho do ar. Marimbondos que sempre
me parecem personagens de Lope de
Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes,
um avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar,
para poder vê-las assim.

Cecília Meireles


Keywords: Cecília Meireles, Poesia
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Albertina

Categoría: Nadie es Perfecto / Estado: Neutral
Posteado: 2007-09-20 17:38, Editado: 2007-09-20 15:44

O poeta está só,
completamente só.
Do nariz vai tirando alguns minutos
De abstracção,alguns minutos
Do nariz para o chão
Ou colados sob o tampo da mesa
Onde o poeta é todo cotovelos
E espera um minuto que seja de beleza.
Mas o poeta
é aos novelos;
Mas o poeta já não tem a certeza
De segurar a musa,aquela
Que tantas vezes arrastou pelos cabelos...
*
A mosca Albertina,
que ele domesticava,
Vem agora ao papel,com um insecto-insulto,
Mas fingindo que o poeta a esperava...
Quase mulher
e muito mosca,
Albertina quer o poeta para si,
Quer sem versos o poeta.
Por isso fica,mosca-mulher,por ali...
*
-Albertina!,deixa-me
em paz, consente
Que eu falhe neste papel tão branco e insolente
Onde belo e ausente um verso eu sei que está!
-Albertina!,eu
quero um verso que não há!...
*
Conjugal,provocante,moreno
e azulado,
O insecto levanta, revolteia, desce
E,em lugar do verso que não aparece,
No papel se demora com um insulto alado.
E o poeta
sai de chofre,por uns tempos desalmado...

Alexandre O'Neill


Uno de mis poemas favoritos



Keywords: Poemas, Alexandre O'Neill
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Prospecção

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Neutral
Posteado: 2007-09-20 17:30

Não são pepitas de oiro que procuro.

Oiro dentro de mim, terra singela!

Busco apenas aquela Universal riqueza

Do homem que revolve a solidão:

O tesoiro sagrado

De nenhuma certeza,

Soterrado

Por mil certezas de aluvião.

Cavo,

Lavo,

Peneiro,

Mas só quero a fortuna

De me encontrar.

Poeta antes dos versos

E sede antes da fonte.

Puro como um deserto.

Inteiramente nu e descoberto.



Miguel Torga



Keywords: Miguel Torga, Poesia
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Soneto do Cativo

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Romántico
Posteado: 2007-09-20 17:23



Se é sem dúvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias,
tão longe da verdade e da invenção;

o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que os outros dirão ou não dirão;

se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo,

não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamente preso!

David Mourão Ferreira


Keywords: Poemas
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Ternura

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Romántico
Posteado: 2007-09-20 17:18


Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobre veio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!


David Mourão Ferreira

:cool:

Keywords: Poemas
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Alma

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Triste
Posteado: 2007-05-12 00:44

Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.
O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma.

E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.

Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.

Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.

Fernando Pessoa

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Liberdad

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Triste
Posteado: 2007-04-20 21:00


Fui à praia, e vi nos limos
a nossa vida enredada:
ó meu amor, se fugimos,
ninguém saberá de nada.

Na esquina de cada rua,
uma sombra nos espreita,
e nos olhares se insinua,
de repente uma suspeita.

Fui ao campo, e vi os ramos
decepados e torcidos:
ó meu amor, se ficamos,
pobres dos nossos sentidos.

Hão-de transformar o mar
deste amor numa lagoa:
e de lodo hão-de a cercar,
porque o mundo não perdoa.

Em tudo vejo fronteiras,
fronteiras ao nosso amor.
Longe daquí,onde queiras,
a vida será maior.

Nem as esp'ranças do céu
me conseguem demover
Este amor é teu e meu:
só na terra o queremos ter.

David Mourão Ferreira

Keywords: Poema
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Faz-me um favor

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Triste
Posteado: 2007-03-23 12:10

Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.

Tu és melhor -- muito melhor!
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.

Mário Cesariny (1923-2006)

Keywords: Mário Cesariny
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Vida e Poesia

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Triste
Posteado: 2007-03-23 12:04

A lua projetava o seu perfil azul
Sobre os velhos arabescos das flores calmas
A pequena varanda era como o ninho futuro
E as ramadas escorriam gotas que não havia.
Na rua ignorada anjos brincavam de roda...
– Ninguém sabia, mas nós estávamos ali.
Só os perfumes teciam a renda da tristeza
Porque as corolas eram alegres como frutos
E uma inocente pintura brotava do desenho das cores
Eu me pus a sonhar o poema da hora.
E, talvez ao olhar meu rosto exasperado
Pela ânsia de te ter tão vagamente amiga
Talvez ao pressentir na carne misteriosa
A germinação estranha do meu indizível apelo
Ouvi bruscamente a claridade do teu riso
Num gorjeio de gorgulhos de água enluarada.
E ele era tão belo, tão mais belo do que a noite
Tão mais doce que o mel dourado dos teus olhos
Que ao vê-lo trilar sobre os teus dentes como um címbalo
E se escorrer sobre os teus lábios como um suco
E marulhar entre os teus seios como uma onda
Eu chorei docemente na concha de minhas mãos vazias
De que me tivesses possuído antes do amor.
.

Vinícius de Morais
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O primeiro dia

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Triste
Posteado: 2007-03-23 12:02

A principio simples anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
est-se bem no silncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos memria uma frase batida
hoje o primeiro dia do resto da tua vida
hoje o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
d-se a volta ao medo e d-se a volta ao mundo
diz-se do passado que est moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos memria uma frase batida
hoje o primeiro dia do resto da tua vida
hoje o primeiro dia do resto da tua vida

E ento que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se e come-se se algum nos diz bom proveito
e vem-nos memria uma frase batida
hoje o primeiro dia do resto da tua vida
hoje o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vem cansaos e o corpo frequeja
molha-se para dentro e j pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja
apagam-se duvidas num mar de cerveja
e vem-nos memria uma frase batida
hoje o primeiro dia do resto da tua vida
hoje o primeiro dia do resto da tua vida

E enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem at dum copo vazio
e vem-nos memria uma frase batida
hoje o primeiro dia do resto da tua vida
hoje o primeiro dia do resto da tua vida

Entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra mar cheia vir da mar vaza
nasce um novo dia e no brao outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos memria uma frase batida
hoje o primeiro dia do resto da tua vida
hoje o primeiro dia do resto da tua vida

Sérgio Godinho

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Palabras

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Neutral
Posteado: 2007-03-09 17:20

Un día
le regalan a uno
una palabra
y uno la pone al sol,
la alimenta,
la cría,
la enseña a ser bastón,
peldaño,
droga anticonceptiva,
garra,
analgésico,
brecha para el escape
o parapeto.
Uno le saca música,
la pinta,
la vuelve más pariente
que un hermano,
más que la axila de uno.
Uno la vuelve gente
y en los instantes débiles
hasta le cuenta
las cosas subterráneas de uno;
pero cría palabras
y un día te sacarán los ojos.


Euler Granda
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Donde

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Triste
Posteado: 2007-03-09 17:03






Donde los ojos se cierran; donde el tiempo
hace resonar la caracola del silencio;
donde el claro desmayo se disuelve
en el aroma de los nardos y del sexo;
donde los miembros son lazos, y las bocas
no respiran, jadean violentas;
donde los dedos trazan nuevas órbitas
por el espacio de los cuerpos y los astros;
donde la breve agonía; donde en la piel
se confunde el sudor; donde el amor.


José Saramago


Keywords: Poemas, José Saramago
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Defensa de la alegría

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Neutral
Posteado: 2007-03-09 15:30, Editado: 2007-03-09 14:36

http://palabrassilenciosas.jubiiblog.com.es/upload/images1.jpg
Defender la alegría como una trinchera
defenderla del escándalo y la rutina
de la miseria y los miserables
de las ausencias transitorias
y las definitivas

defender la alegría como un principio
defenderla del pasmo y las pesadillas
de los neutrales y de los neutrones
de las dulces infamias
y los graves diagnósticos

defender la alegría como una bandera
defenderla del rayo y la melancolía
de los ingenuos y de los canallas
de la retórica y los paros cardiacos
de las endemias y las academias

defender la alegría como un destino
defenderla del fuego y de los bomberos
de los suicidas y los homicidas
de las vacaciones y del agobio
de la obligación de estar alegres

defender la alegría como una certeza
defenderla del óxido y la roña
de la famosa pátina del tiempo
del relente y del oportunismo
de los proxenetas de la risa

defender la alegría como un derecho
defenderla de dios y del invierno
de las mayúsculas y de la muerte
de los apellidos y las lástimas
del azar
y también de la alegría.



Mario Benedetti


Keywords: Mario Benedetti
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Um Adeus Português

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Neutral
Posteado: 2007-02-16 13:59, Editado: 2007-03-05 20:26



Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros puros e a sombra
de uma angústia já purificada

Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Não tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

Alexandre O'Neill (1924 - 1986)
in "No Reino da Dinamarca" (1958)


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Soy de vidro

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Neutral
Posteado: 2007-02-16 13:42

Sou de vidro
Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Encubro a luz que me habita
Não por ser feia ou bonita
Mas por ter assim nascido
Sou de vidro escurecido
Mas por ter assim nascido
Não me atinjam não me toquem
Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
E um cinto de escuridão
Mas trago a transparência
Envolvida no que digo
Meus amigos sou de vidro
Por isso não me maltratem
Não me quebrem não me partam
Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
Mas por assim ter nascido
Não por ser feia ou bonita
Envolvida no que digo
Encubro a luz que me habita

LÍDIA JORGE


Keywords: Poesia, Lídia Jorge
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Se alguém bater à tua porta

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Triste
Posteado: 2007-02-16 13:29



Se alguém bater um dia à tua porta,
Dizendo que é um emissário meu,
Não acredites, nem que seja eu;
Que o meu vaidoso orgulho não comporta
Bater sequer à porta irreal do céu.
Mas se, naturalmente, e sem ouvir
Alguém bater, fores a porta abrir
E encontrares alguém como que à espera
De ousar bater, medita um pouco. Esse era
Meu emissário e eu e o que comporta
O meu orgulho do que desespera.
Abre a quem não bater à tua porta!

Fernando Pessoa - POESIAS INEDITAS


Keywords: Poesia, Fernando Pessoa
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DESPEDIDA

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Triste
Posteado: 2007-02-16 13:24, Editado: 2007-03-05 20:33


Entre mi amor y yo han de levantarse
trescientas noches como trescientas paredes
y el mar será una magia entre nosotros.
No habrá sino recuerdos.
¡Oh tardes merecidas por la pena!
Noches esperanzadas de mirarte,
campos de mi camino, firmamento
que estoy viendo y perdiendo....
Definitiva como un mármol
entristecerá tu ausencia otras tardes.


JORGE LUIS BORGES
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Amantes

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Triste
Posteado: 2007-02-16 13:18


Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.

Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.

Natalia Correia - O LIVRO DOS AMANTES


Keywords: Poesia, Natalia Correia
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LXVI

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Triste
Posteado: 2007-01-16 22:24

( Pablo Neruda)

NO TE QUIERO sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.

Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego.


Keywords: Poesia, Pablo Neruda
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Sueño de niño

Categoría: Personal / Estado: Triste
Posteado: 2007-01-12 21:16

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Dormir

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Neutral
Posteado: 2007-01-07 03:41

Por ultimo, para terminar que ya todos se dieron cuenta que mi lectura preferida es la poesía queda aquí un poema de Fernando Pessoa y a dormir voy.

Durmo ou não? Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.

Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.

Mas, lento, vago, emirjo de meu dois.
Desperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem... Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?
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LXXII

Categoría: Palabras al viento... / Estado: Neutral
Posteado: 2007-01-07 03:35

(Pablo Neruda)

Si todos los ríos son dulces
de dónde saca sal el mar?

Cómo saben las estaciones
que deben cambiar de camisa?

Por qué tan lentas en invierno
y tan palpitantes después?

Y cómo saben las raíces
que deben subir a la luz?

Y luego saludar al aire
con tantas flores y colores?

Siempre es la misma primavera
la que repite su papel?
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